A primeira vez que ouvi falar do fio vermelho do destino foi em uma série chamada Touch (disponível na Netflix). A série apresenta um menino autista chamado Jake. O pai desse menino, Martin, não consegue estabelecer uma comunicação com Jake, o que o deixa muito frustrado por não conseguir um contato de pai e filho. No desenrolar da série, Martin acaba descobrindo que Jake se comunica através de números. Essas sequências de números que o menino escreve revelam fatos sobre o presente e o futuro de diferentes pessoas, demonstrando que tudo está conectado, assim como a lenda descrita no início da série:
“Há um antigo mito chinês sobe o Fio Vermelho do Destino. Diz que os deuses prendem um fio vermelho no tornozelo de cada um de nós e o conectam a todas as pessoas cujas vidas estamos destinados a tocar. Este fio pode esticar-se ou emaranhar-se, mas nunca irá partir”.
No Japão, essa lenda é representada de forma diferente. O fio não é ligado no tornozelo, como na China, mas sim no dedo mindinho de cada pessoa.
Seja ligado no tornozelo ou no dedo mindinho, a lenda do fio vermelho do destino habita em vários filmes, séries, animes e mangás japoneses. Um dos filmes que aborda essa temática é Kimi no Na wa. (ou Your name.).

Your name. é uma animação, de 2016, de Makoto Shinkai (diretor de cinema de anime japonês).
RESUMO: Your name. é uma obra que aborda a temática do fio vermelho do destino. Conta a história de Mitsuha (uma garota do ensino médio que mora em uma cidade do interior do Japão, chamada Itomori) e de Taki (um garoto do ensino médio que mora em Tóquio). Misteriosamente e sem nenhum motivo aparente, Mitsuha começa a sonhar que é um garoto de Tóquio. Taki também tem um sonho esquisito onde ele é uma garota de uma cidadezinha do interior. No decorrer dos sonhos, eles percebem que, na verdade, aquilo tudo não é imaginação deles, pois eles realmente trocam de corpos. Ao conectar seus relacionamentos, vidas e histórias, Mitsuha e Taki descobrem que eles estão ligados de uma maneira única e que essas trocas não acontecem por acaso. O que os ligaria de maneira tão forte e imutável? Quais seriam os mistérios que envolvem os acontecimentos presentes na vida dos dois adolescentes? Haveria alguma ligação com a chegada do cometa Tiamat?
Com uma história brilhante, Makoto Shinkai nos envolve do início ao fim, fazendo com que a nossa história também se ligue ao universo de Your name.
⇒ O filme tem duração de 106 minutos, aproximadamente. Conta com uma trilha sonora perfeitamente planejada para essa ambientação. De acordo com Shinkai, as canções da banda RADWIMPS possuem papel importante no filme. Além da música, a animação é linda. É uma verdadeira obra de arte e cada detalhe possui um significado especial.
Curiosidades:
- A banda RADWIMPS é uma das mais populares e bem sucedidas bandas de rock do Japão. Eles compuseram um álbum especialmente para o filme, disponível no Spotify, Deezer, entre outros aplicativos.
- Além do filme de animação, também existe um livro e o mangá (em três volumes, com nove capítulos) de Your name. Quanto ao conteúdo, todos eles podem ser lidos de forma independente, existem poucas diferenças. No livro, por exemplo, temos a visão em primeira pessoa de Mitsuha e Taki, já no filme, como é em terceira pessoa, temos uma visão mais panorâmica das pessoas e dos ambientes. No mangá, o conteúdo é praticamente igual ao do filme, com sutis diferenças (no mangá a relação do pai de Taki e ele tem um pouco mais de detalhes que no filme, por exemplo), mas não é nada que faça com que você perca o conteúdo.
CUIDADO! MUITOS SPOILERS!
Para iniciar a análise da história sugiro que você leia antes alguma das versões de Your name. (pode ser o filme, o livro ou o mangá, ou os três ^^).
Vou começar descrevendo os personagens principais e depois inicio a história, pela ordem dos acontecimentos narrados no livro.
MITSUHA MIYAMIZU: É uma estudante de 17 anos que vive em uma cidade chamada Itomori, localizada no interior do Japão. Ela é filha do prefeito da cidade, mas mora com a avó Hitoha Miyamizu (82 anos) e a irmã mais nova Yotsuha Miyamizu (9 anos). Elas moram com a avó desde que a mãe delas, Fubata Miyamizu, morreu, pois o pai delas, Toshiki Miyamizu, não quis seguir cuidando do templo da família de sua esposa para dar prioridade a sua carreira política. Desde esse ocorrido, Hitoha e Mitsuha não possuem uma relação boa com Toshiki que, na época de seu relacionamento com Fubata prometeu amá-la e cuidar dos filhos.
Mitsuha não gosta da vida na cidade do interior e seu sonho é viver em Tóquio.
TAKI TACHIBANA: É um estudante de 17 anos que mora em Tóquio. Ele cursa o ensino médio durante o turno da manhã e tarde e possui um emprego em um restaurante italiano no turno da noite. Mora com o pai e a relação deles não é muito descrita no filme e no livro, mas parece que eles não são tão próximos. No mangá aparece uma cena em que o pai de Taki diz que gostou muito dele ter sentado e conversado com ele sobre o seu diário (só que quem contou foi Mitsuha – que estava no corpo de Taki), o que mostra um estreitamento da relação dos dois.
A HISTÓRIA
Capítulo 1: Sonho
A descrição começa na perspectiva de Taki, que narra que, por muitas vezes, acorda chorando, sem um motivo aparente. Ele diz que parece que está sempre em busca de alguém, mas que não se lembra quem é ou o porquê dessa procura. Essas revelações fazem com que nos perguntemos o que ele procuraria? O que pode estar ligado tão intimamente ao nosso corpo e alma?
Capítulo 2: Início
A narrativa começa com uma memória de Taki. Ele está em um trem em Tóquio e encontra uma garota de uniforme que o encara fixamente. A menina desconhecida pergunta com uma voz chorosa se ele se lembra dela e ele responde que não a conhece. Quando o trem para a menina é empurrada pela multidão que está descendo do trem e grita para ele que seu nome é Mitsuha, no mesmo instante em que desprende um cordão de seu cabelo e entrega para Taki.
“Então lança o cordão para mim e eu instintivamente estico a mão para pegá-lo. É de um laranja vívido, com um fino feixe de luz do sol poente entrando em um trem escuro. Eu avanço por entre a multidão para agarrar firmemente esse feixe de luz.”

E então os olhos de Taki se abrem e ele acorda.
Só que Taki acorda no corpo de uma garota e fica completamente confuso.
Então a passagem de personagem troca para Mitsuha, que acorda e descobre que agira de forma estranha no dia anterior. Nessa parte, o autor descreve um pouco da relação problemática de Mitsuha com o pai e revela a primeira informação sobre o cometa:
“Daqui a um mês, o cometa que dizem surgir a cada mil e duzentos anos aparecerá novamente”.
Makoto Shinkai descreve a pacata vida de Mitsuha (uma coisa bem interessante é que, devido a sua vida ser bem tranquila, Mitsuha cria, em sua cabeça, algumas trilhas sonoras para fazerem parte dos acontecimentos de seu dia-a-dia). Ela vai para a escola e encontra os seus amigos Sayaka e Teshi que contam a forma estranha que ela agiu na véspera.
Na escola, durante a aula, a professora introduz um conceito que é sustentado ao longo do livro, se trata do Kataware-doki. Isso significa “crepusculo”, que é o limiar entre o ocaso do sol e a noite.
Enquanto Mitsuha faz as anotações da aula em seu caderno, ela percebe que em uma de suas folhas está escrito “Quem é você?”.
As cenas descritas posteriormente são de reclamações dela e de sua amiga sobre Itomori. Mitsuha não aguenta mais viver naquela cidade pequena e sufocante. Sonha em conhecer Tóquio e seus restaurantes, prédios e Cafés.
Mitsuha precisa realizar um ritual para apresentar no Festival da Boa Colheita do Templo de sua família, para a preservação da tradição. E ela, com sua avó, preparam os fios trançados para utilizá-los durante o evento. Durante o evento, a garota e sua irmã preparam a receita mais antiga de sakê do Japão, o Kuchikamizake. Nessa receita o arroz é mastigado e, misturado com a saliva, é colocado para fermentar naturalmente e se tornar alcoólico. Mitsuha se sente humilhada e envergonhada por precisar fazer isso na frente das outras pessoas e, ao terminar o ritual, deseja que, na próxima vida, ela seja um cara bonito de Tóquio.
Capítulo 3: Cotidiano
Mitsuha acorda no corpo de um garoto chamado Taki. Descobre as sensações mais íntimas de um menino e, como pensa que está em um sonho, começa a viver como o rapaz durante aquele dia. Ela vai para a escola dele, almoça com os amigos dele, vai para um Café (momento muito emocionante, já que ela sempre sonhou com Tóquio e os Cafés maravilhosos) e ainda trabalha no restaurante, fazendo com que seu jeito diferente do habitual despertasse o interesse da colega de trabalho de Taki, a senhorita Okudera.

Antes de dormir, Mitsuha pega o celular do garoto e escreve o que aconteceu no diário pessoal dele, deixando seu nome lá.
Quando Taki acorda no outro dia, ele não acredita nos acontecimentos da véspera.
Acontece que esses sonhos parecem tão reais que eles chegam a conclusão que não são sonhos, mas que eles realmente trocam de corpo.
“Acontece de repente: umas duas ou três vezes por semana, a intervalos irregulares, eu troco de lugar com a Mitsuha Miyamizu, uma garota que mora no interior. Dormir é o que ativa esse fenômeno, mas a causa é desconhecida.”
As memórias de quando eles trocam ficam meio distorcidas quando eles acordam, mas depois de ter consciência do que realmente acontecia, eles começaram a ditar regras sobre o que pode ser feito ou não enquanto um troca de corpo com o outro.
Em uma manhã, quando Taki acorda no corpo de Mitsuha, ele vai com a avó e a irmã dela levar oferendas até o Templo da família Miyamizu. Durante o caminho ela conta sobre Musubi, que é um Deus. Só que ela explica que essa palavra tem um significado ainda mais profundo. Isso é importante para entendermos a história do livro.
“Entrelaçar fios também é chamado de musubi. As ligações entre as pessoas também. Até mesmo o fluxo do tempo é musubi. “[…] Os fios vão se juntando e ganhando forma. Eles se torcem, embaraçam e, às vezes, voltam ao normal. Eles se rompem e se religam. Isso que são os fios trançados. Isso é o tempo. Isso é musubi.”
Ao chegar próximo do templo, a vó de Mitsuha diz que a partir daquele ponto é Kakuriyo, ou seja, “outro mundo”. De acordo com ela, para eles voltarem para o mundo deles, eles precisariam deixar para trás aquilo que é mais importante, no caso delas o Kuchikamizake.
Após deixar as oferendas, eles assistem o kataware-doki e o Taki desperta ao ouvir a última frase da vó de Mitsuha: “Você está sonhando, não está?”.
Taki acorda chorando.
“Não sei por que estou chorando. Enxugo os olhos com a palma das mãos. Enquanto faço isso, tanto a paisagem do crepúsculo como as palavras da vovó vão desaparecendo, como água sugada pela areia.”
Taki levanta e descobre que Mitsuha havia marcado um encontro para ele e a senhorita Okudera. Só que Taki já não era mais o mesmo. No final do encontro a senhorita Okudera questiona a Taki se ele gosta de outra pessoa, ele se sente confuso. Mitsuha havia deixado uma mensagem pra ele, avisando que no término do encontro daria para ver o cometa no céu. Só que não havia nenhum cometa naquele dia. E depois disso eles nunca mais trocaram de corpo.
Capítulo 4: Busca
Taki inicia, então, a busca pela cidade que Mitsuha mora, pois não conseguia nem ligar para ela. Decide sair em viagem para buscar, através de seus desenhos de Itomori, a localização da cidade. Para isso, parte com a senhorita Okudera e seu amigo Tsukasa nessa jornada. Só que Taki acaba descobrindo que Itomori fora destruída, há três anos atrás, pelo cometa Tiamat e que mais de 500 pessoas morreram, incluindo Mitsuha.

Taki fica transtornado e tenta lembrar algo sobre Mitsuha, mas a memória dele falha, falha tanto que, ao perceber o amuleto que carrega em seu pulso ele tem dúvidas de quem o teria dado e quando isso teria acontecido.
Para descobrir se era sonho ou realidade, Taki se aventura pelos destroços de Itomori e parte rumo ao Templo da família Miyamizu. E ele encontra, provando que ele não tivera um sonho.
Ao passar pelo Kakuriyo, Taki tenta lembrar quem disse para ele que aquele era o outro mundo, mas não consegue.
Ao chegar no Templo ele percebe o Kuchikamizake de Matsuha e entende que as trocas ocorreram com um desvio de tempo de três anos. Então ele toma o líquido dela e pede mais uma chance para salvá-la.
Capítulo 5: Lembranças
Ao beber o Kuchikamizake, Taki cai no chão e perde a consciência, fazendo com que ele tenha um sonho sobre a vida de Mitsuha, toda a história de vida dela, inclusive o dia em que ela foi procurá-lo em Tóquio e ele não a reconheceu (o dia em que ela deu o cordão do cabelo para ele), até o momento em que ela morre com o cometa.
Capítulo 6: Repetição
Taki acorda no corpo de Mitsuha, no dia do incidente do cometa e faz de tudo para evitar que as pessoas morram. Porém ele não consegue ser tão persuasivo para pedir a ajuda do pai de Mitsuha e ele decide ir ao Templo da família Miyamizu, pois acredita que Mitsuha está no corpo dele, no lapso de tempo de três anos.
Ao chegar no templo, na hora do crepúsculo, Taki consegue ver Mitsuha.
“O vento sopra suavemente, erguendo meu cabelo. O suor já secou. Sinto a temperatra cair drasticamente e noto que o sol está se pondo. Ele se esconde atrás das nuvens. Livres de seu brilho direto, luz e sombra se misturam, e o contorno de tudo neste mundo fica indefinido e tênue. O céu ainda brilha, mas no solo se estende uma fraca sombra. Uma luz indireta e rosada preenche tudo a redor.
É mesmo. Este momento do dia recebe um nome especial. Tasogare, o crepúsculo. Tasokare. É a hora em que o contorno das pessoas fica borrado e podemos nos deparar com algo que não é desse mundo. Então eu pronuncio seu antigo nome:
– Kataware-doki, a hora do crepúsculo.”
Ao explicar o que precisa ser feito para salva as pessoas, Taki sugere que eles escrevam seus nomes para que eles não esqueçam. Só que no momento em que Taki escreveria, o crepúsculo se findou e Mitsuha sumiu.

Capítulo 7: Belamente, Lutar
Mitsuha vai tentar salvar a cidade e as pessoas, no caminho percebe que Taki escreveu “Eu te amo” em sua mão e não o nome dele. Mitsuha tenta lembrar, mas não consegue. Com a ajuda de seus amigos, Mitsuha tenta ajudar os cidadãos e promete a si mesma que vai conseguir.

Capítulo 8: Seu nome
Passam-se cinco anos da queda do cometa e Mitsuha e Taki não se lembram um do outro. Eles têm a sensação de que estão procurando algo, alguém, e que não podem desistir.
O capítulo começa na visão de Taki, que está a procura de emprego e descreve essas lacunas que ele sente em relação ao seu par. Sem saber o porquê, ele sempre tenta procurar algo que não sabe, apenas sente. E o desfecho é incrível, quando ele encontra Mitsuha em uma escadaria. Afinal, a cidade fora salva e eles ainda deveriam se encontrar.
“Por isso me viro. Ela se vira para mim exatamente no mesmo segundo. Ela está em pé na escada, com os olhos redondos e arregalados, com a cidade de Tóquio às suas costas. Noto que seu cabelo está preso com um cordão da cor do pôr do sol. Estremeço. […]
Finalmente eu o encontro. Finalmente nos encontramos. Se continuar assim, vou cair no choro. No momento em que penso isso, noto que já estou chorando. Ele ri ao ver as minhas lágrimas. Eu também sorrio enquanto choro. Respiro profundamente o ar primaveril e cheio de promessas.
Então nós dois abrimos a boca ao mesmo tempo.
Como crianças contando o tempo para sincronizar a fala, soltamos ao mesmo tempo:
– Qual é o seu nome?”

CONCLUSÃO
Desde o início, a história me cativou. Sempre gostei das questões existenciais que usam o tempo como marcador para os acontecimentos. Na história de Taki e Mitsuha notamos duas linhas temporais: a 1ª onde Mitsuha morre com a queda do meteorito do cometa em Itamori e a 2ª onde ela sobrevive. Os acontecimentos para que ela sobrevivesse, foram resultados da ligação que ela tinha com Taki. Se pararmos para analisar, Mitsuha é três anos mais velha que Taki e o que propiciou o conhecimento deles do que o que eles vivenciaram era realidade, foi o fato de Mitsuha ter entregado ao Taki o seu cordão. A lendado fio vermelho do destino. Nesse momento eles se ligaram de uma maneira única e sutil, destoando da visão que a avó de Mitsuha tinha, já que ela e a mãe de Mitsuha também tiveram sonhos parecidos, a diferença é que apenas Mitsuha teve esse fio que estabeleceu essa ligação física com Taki. Isso possibilitou que as lembranças, embora distorcidas, permanecessem em seu íntimo, com a força capaz de jamais desistir de encontrar o outro lado do fio.
O destino que une, que dá as melhores sensações para a nossa vida.
Makoto Shinkai escreveu que essa história tinha que existir:
“porque senti que pode existir um Taki ou uma Mitsuha por aí em algum lugar. Lógico que esta história é uma fantasia, mas acho que podem existir pessoas que tenham passado pelas mesmas experiências, ou que sintam as mesmas coisas que eles. Pessoas que perderam entes queridos ou um lugar importante, mas decidiram continuar lutando.”
Lutamos contra o esquecimento, brigamos por lembranças que não queremos esquecer. Ao passar para o outro mundo, Taki precisou deixar algo importante para ele e Mitsuha também, só que eles não sabiam que seriam as lembranças um do outro.
Tudo pareceu belo ao meu redor enquanto li o mangá, o livro e ao assistir ao filme, percebi que cada pedacinho da nossa existência está conectado, que podemos observar mudança, que existem pessoas boas. Não importa quantas pessoas passem pela sua vida, o seu fio sempre estará ligado, sempre estará conectado com alguém que compreende o seu segredo mais íntimo.
Senti que nada poderia parecer ou soar estranho na história, pois ela me comoveu do início ao fim.
Lindo, emocionante.
📚 Nome: Your name.
📝 Autor: Makoto Shinkai
🇯🇵 País: Japão
📆 Ano de publicação: 2016
🗂 Categoria: Romance
🏅 Nota: 10
🗒 Trecho: “Então lança o cordão para mim e eu instintivamente estico a mão para pegá-lo. É de um laranja vívido, com um fino feixe de luz do sol poente entrando em um trem escuro. Eu avanço por entre a multidão para agarrar firmemente esse feixe de luz.”
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